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JOGANDO O JOGO SOZINHA
JOGANDO O JOGO SOZINHA

Por Paula Rodrigues Navarro -  São Paulo - Julho/98

 

Olá ! Eu sou a Paula e gostaria de compartilhar com os leitores, uma experiência fascinante de incessantes descobertas que tenho vivenciado ao jogar com amigos ou sozinha, o que passei a chamar de "O Jogo da Caixinha Mágica”!

Certa vez, eu li em algum lugar, os seguintes dizeres:

 

"Deus é alegria. Uma criança é alegria.

Deus e uma criança tem sido isso em comum:

Ambos sabem que o universo é

uma caixa de brinquedos.”

 

Eis então, onde para mim, está o poder de transformação do "O Jogo da Caixinha Mágica”... É aquele momento onde brincamos com a nossa vida com a mesma curiosidade e seriedade de uma criança, frente a um jogo qualquer.

 

Uma das mais incríveis "sacadas” que experienciei com este jogo, foi perceber que sempre que o abro com a simples espontaneidade infantil, a sabedoria do universo se abre para mim da mesma forma. Eu sinto como que colocando minha vida num tabuleiro (mágico, é lógico) e simplesmente deixando fluir, vivencio o prazer singelo de brincar com ela...

 

Não é divino, poder brincar com a própria vida de forma totalmente despretensiosa e ainda receber bênçãos de Deus além do próprio dom de abençoar a outros e a si mesmo? Contatar presenças angélicas e milagrosamente poder transformar tanto as próprias dores quanto a de todos os seres presentes? Dizer à todos o que mais aprecia neles e ouvir deles o que mais apreciam  em você e ainda ganhar "passe evolutivo” por serviços prestados?...

 

Por outro lado, percebi que participar do jogo tentando controlar o fluir da vida no tabuleiro apegando-se a dores e bloqueios, tentando entender racionalmente o porque de estarem ali, ao invés de deixar que venham e vão naturalmente torna o jogo lento e difícil e assim, a graça se perde, a confusão interior se instala e passam a interagir com o jogo de forma muito séria...

Ah, os adultos! Desligam-se do grande poder existente no prazer de brincar com a vida e se identificam com a dor presente em um só momento do caminho, quando deveriam deixá-la onde devem ficar, no tabuleiro! Afinal, é tudo um grande jogo, não é mesmo? Então, basta rolar o dado...

Ficar todo emaranhado em questionamentos, nos afasta da capacidade de ver, ouvir ou perceber qualquer inspiração que esteja vindo em nosso socorro. É mais ou menos como entrar num cofre de banco, bater a porta na cara de um anjo e não se tocar que ele continua ali ao lado se esgoelando para que voltemos a brincar.

 

No entanto, assim como a vida,  "O Jogo da Caixinha Mágica”  continua se processando e um milagre acontece! A porta se abre e com surpresa, espanto e gratidão, percebemos que somos livres. Tão livres, que podemos até brincar de nos proteger do contato com nossas próprias dores. É neste exato momento, no qual nos re-conectamos com o prazer de brincar, que como num passe de mágica surge do nada e sem avisar, "a grande sacada”. Límpida, clara e brilhante como um enorme diamante. Esse é o prêmio dado à nós por nós mesmos ao nos permitirmos interagir com a vida dinamicamente, através do caminho da vida representado divinamente no "Jogo da Caixinha Mágica”.

Descrever a experiência em palavras, me é quase que impossível, pois qualquer "sacada” como insight’s, percepções ou tomada de consciência, como queiram, que se alcance nesse jogo, é algo que se vivência por inteiro. Percebe-se a verdade, no corpo, no coração e na mente. VIVENCIA-SE, um estado da mais completa compreensão, não há dúvidas, não há questionamentos. É claro, perfeito e inteiro. É o que é A verdade, sempre esteve lá, a mente havia a esquecido, no entanto o coração jamais a esqueceu.

 

Descrever uma experiência dessas, na minha opinião. É tarefa para um verdadeiro poeta, por isso, acho mais legal que todos aqueles que tenham o interesse de compreender por si próprios, seja o que for sobre si mesmo e sua vida, joguem "O Jogo da Caixinha Mágica” com a mesma curiosidade ingênua de uma criança; pois como diz o grande poeta Fernando Pessoa:

"A criança que eu fui chora na estrada,

Deixei-a ali quando vim ser quem sou,

Mas hoje vendo que o que sou é nada,

Quero buscar quem fui onde ficou.”

 

Boa Sorte!

 

ESTE ARTIGO FOI PUBLICADO NO INFORMATIVO INTEGRARE ANO II - NO. 04 - SÃO PAULO – Hoje Paula Navarro é uma das facilitadoras credenciadas pela Innerlinks.
Data da publicação: 01/04/2011
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